segunda-feira, novembro 20, 2006

"Stuck in reverse"

"Stuck in reverse"
O tempo passa e eu aqui fico.
Sozinha.
Farta.
"Stuck in reverse"
Compro bilhete de ida.
Sem data de partida.
Para o amanhã.
(Stuck in reverse - Fix you - Cold Play - porque na música podemos achar uma parte de nós)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Verbos soltos...

Voa.
Abre as asas que anseiam liberdade
E permite-te rasgar o céu.
Canta.
Solta o grito preso nas estáticas
Cordas vocais, e vibra com elas, em milhentas tonalidades
Chora.
Que as tuas lágrimas afoguem mágoas
E te surja um arco-íris no olhar
Sorri.
A ti, a mim, ao outro, ao Mundo,
A Deus, aos céus...
Cai.
Para saíres incólume e descobrires
A singularidade da tua força.
Ama.
Porque voar, cantar, chorar, sorrir e levantar
Perdem beleza e dissolvem-se em nadas
Quando não partilhados.
Existimos para dar. Não adianta fugir...É-nos roubada de qualquer forma, a alma.

sábado, setembro 30, 2006


Vagueia pelas ruas, que de tão suas, conhece de cor. O cheiro, o tacto, o sabor de cada perfume que foge de uma janela aberta, apressado, fugaz, e lhe roça as narinas lembrando-lhe a infância, perfumada por fragrâncias-filhas da que agora inala.
Prossegue o seu caminho. Ela contorna a esquina onde antes o Sr. João tinha a sua mercearia. João? Ou seria José?
Não se lembra..foi na sua infância, e a infância já não está perto, a infância de fragrâncias doces.
Pára agora em frente à sua escola-primária. Sua. Possessão utópica. O portão não é igual. Antes vermelho e ferrugento, rangendo a cada empurrão traquina de crianças desassossegadas, ansiosas por chegar ao parque e apanhar um baloiço...Só havia três!
Agora, o portão não range, não fala, não conta histórias. É novo, como novas são as paredes da "sua" escola, como novo é o chão onde outrora fazia buracos para jogar "ao berlinde" com os rapazes. O chão agora é de cimento, frio, impérvio.
E já não conta histórias.
No seu passeio, ela encontrou a mudez, porque nada é de agora, tudo ficou na infância.
E essa, não está perto...A infância de fragrâncias doces...
(Imagem retirada do Google)

domingo, setembro 24, 2006

Ainda

Ainda me lembro do tempo em que o teus olhos eram um mar de brilho.
Ainda me lembro de como o teu sorriso era quente, mais quente do que o sol.
Ainda me lembro de como as tuas palavras eram doces como o mel.

Ainda me lembro do dia em que a chuva caíu e o Verão secou.
Ainda me lembro de como a trovoada passou por nós.
Ainda me lembro de como a tempestade acabou.

Eu ainda vejo o brilho.
Ainda aqueço com o sol.
Ainda saboreio o doce.

Mas eu ainda sinto a chuva.
Ainda oiço a trovoada.
Ainda fujo da tempestade.

Eu sei que (ainda) não acabou.



Escrito num dia melancólico e chuvoso.
Mas agora está "sol "e eu sou feliz, afinal de contas ..."não há mal que sempre dure".

segunda-feira, setembro 18, 2006

Agarrei o sonho e encarcerei-o dentro de mim.
E este sonho, não o deixarei fugir.
Demore um ano.
Demore dez.
Os sonhos são intemporais...

Cai, levantei-me e sacudi a poeira do corpo.
Siga!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Parabéns Ephemera

Da amizade nasceu este blog e é dela, com toda a certeza, que se alimenta.
O Ephemera traduz o cruzar de duas vidas...
Os pensamentos. As emoções.
As dúvidas. As certezas.
As alegrias. As mágoas.
E a partilha continuará.
(O Ephemera completou um ano no passado dia 13 de Setembro. A Ephemera continua a bater as suas asas e a voar...)

segunda-feira, setembro 11, 2006

11-09-2001


O Mundo parou e viu.
5 anos depois, o fumo não passou.
Política, religião, ideais. Causas que se esquecem.
Ficaram a dor e a saudade.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Restos

Hoje esqueci-me que ás vezes também podes ver
Às vezes também sabes ter noção
Hoje vens tu ver restos de mim no chão
Hoje esqueci-me que sabia perder
Que me tinhas na mão
Hoje vens tu perdida no mesmo chão
Quem não quis saber
Tirou a mão e partiu
Deu o que não tinha para levar
Fechei o corpo e fugi
Hoje vens tu
E eu já sei de cor o travo do teu licor e os restos de mim no chão
Quem não quis saber
Tirou a mão e partiu
Deu o que não tinha para levar
Fechei o corpo e fugi...mas há sempre mais um dia e nunca vai parar.
Quem não quis saber
Tirou a mão e partiu
Deu o que não tinha para levar
Fechei o corpo e fugi

Toranja-Restos

Hoje lembrei-me de ti. Acordei com a lembrança do teu olhar doce, escondido sob aquelas longas pestanas, que o tornam ainda mais doce.
Os teus olhos fecharam-se quando os meus se abriram...

domingo, agosto 27, 2006

Reconheci o sorriso que me deixou a sonhar
e uma vez mais ... voei.

terça-feira, agosto 08, 2006

??

Um dia destes, numa qualquer conversa pseudo-filosófica com um amigo, este acusou-me de ter uma sinceridade "tipicamente masculina". Fiquei sem resposta, embora aquela afirmação me tenha surpreendido.
Em primeiro, porque não sabia que a sinceridade tinha género. Já percebi há muito que tem personalidade, forma, cor e carácter, mas não género.
E em segundo, dei por mim a ponderar o porquê de EU ter essa sinceridade com género trocado!
Não tinha as mulheres como grupo desonesto.
Que raio de amigos eu tenho, não?
Após muito pensar, cheguei à seguinte conclusão: é uma sinceridade igual a tudo o que é sincero (passo a redundância), mas com uma dose de frontalidade assustadora ou, como também já me disseram, "que mete nojo"!
Perdoe-me qualquer alvo de tal característica da minha pessoa, mas vinte anos mantendo este traço inalterado, temo não ser por agora que se dê tal desvio de uma das minhas poucas coerências assumidas.
De qualquer forma, a concomitância desta mencionada sinceridade "frontal" com a incapacidade de transmitir o que de mais profundo em mim se revela, demonstra a inconstância do que sou, ou julgo ser.
Apraz-me saber que, ao menos por uma vez, num pequeno território da imensa terra que sou, reflicto opostos, facto intrigante, pois em mim nunca reconheci ambiguidades.
Talvez a transparência, que sempre me perseguiu, seja sobreposta por fugazes momentos de opacidade...